
EGOTRÍPTICO
Movimento contrário, sucessivo a outro e q, por também ser espasmódico, é também manifestado por contração súbita, de duração variável, de musculatura lisa ou estriada, acompanhada de dor e prejuízo funcional, podendo haver distorção e movimentação involuntária.

O Q SERIA O CINEMA BRASILEIRO ? (II)
Falar de morte não é dizer que o cinema é um dado cultural impotente, fracassado por condição, sem força, porque adotar o lema do Brasil fracasso é tão perigoso quanto o do Brasil sucesso. Falar de morte é pensar sobre essa impossibilidade dos filmes existirem como produto cultural, de encontrarem seu espaço como ¿arte¿ na sociedade contemporânea, é falar de cineastas que tiveram carreira interrompida e são constantemente boicotados, de gerações perdidas no cinema brasileiro, do amargor da invisibilidade e da escuridão. Morte é mais um estado do que realmente uma vocação, se fosse vocação, muitos de nossos artistas teriam desaparecido, mas eles continuam por ai, dirigindo filmes ou vídeos inéditos, montando ou fotografando trabalhos de outros, liderando associações de classe, organizando mostras e festivais, lecionando nas escolas e universidades ou escrevendo em veículos de comunicação. Desde quando cinema é cinema por aqui, muitos talentos aparecem, fazem obras de grande impacto estético e caem no ostracismo. De cabeça dá para enumerar os mais notórios como Luiz Rosemberg Filho que mereceu texto de Glauber no livro "Revolução do Cinema Novo" e apesar de ter começado a filmar nos anos 60, foi nos 70 que dirigiu trabalhos fundamentais como Jardim das Espumas, As$untina das Américas e a obra-prima Crônica de um Industrial. Seu último longa-metragem O Santo e a Vedete, de 1985, é ainda inédito; nos anos 80 Ícaro Martins que com José Antônio Garcia (que depois seguiu sozinho em filmes menos inspirados) dirigiu entre outros os vigorosos Estrela Nua e O Olho Mágico do Amor. Desde então não filmou mais; Walter Rogério que com seu longa de estréia Beijo 2348/72, realizou o filme emblemático do fim da Embrafilme que sofreu todos os problemas relativos à política cinematográfica do período. Ele voltaria a filmar, em 1996, Olhos de Vampa, que não teve estréia em circuito e em 2004 foi direto para as locadoras. Nem é preciso falar de José Mojica Marins que é obviamente um pária desde os anos 60, e que no imaginário da população é hoje mais uma figura pitoresca do que um personagem de cinema (NOTA DO BLOGUEIRO: Paulo Sacramento me garantiu q Zé do Caixão terá seu próximo filme lançado por ele, através da sua já histórica produtora Olhos de Cão, até o final de 2006... ); outros como Rogério Sganzerla e Glauber Rocha foram a vida toda (e são) relegados às glórias da juventude quando foram adotados como gênios pela opinião pública que logo depois os abandonou como bestas ¿que faziam filmes inexibíveis¿. Até hoje Sganzerla é o criador ¿fã de Welles e Godard¿ do Bandido da Luz Vermelha e Glauber o gênio de Deus e o Diabo na Terra do Sol e ¿o cinema novo no Rio de Janeiro¿ com Terra em Transe. Ou seja, ignora-se quase toda a carreira subseqüente dos cineastas que têm filmes tão ou mais belos que seus exemplares cultuados nos anos 60, como Sem Essa Aranha e A Idade da Terra, respectivamente os melhores filmes de cada um deles. Alguns poucos vivem de operações bissextas como André Luiz de Oliveira e Ana Carolina que num período de vinte anos realizaram uma média de dois ou três longas-metragens, muito pouco levando-se em conta que alguns cineastas na chamada ¿retomada¿ dirigiram, se não esse número (em um período de tempo menor, basicamente de dez anos), quase o dobro como Walter Salles (quatro filmes filmes em dez anos), Cacá Diegues (três filmes em oito anos), Sérgio Rezende (quatro filmes em sete anos) e o diretor de aluguel Moacir Góes que de modo impressionante dirigiu seis filmes em uma margem de dois anos, um número alto até para um cineasta de uma indústria como a de Hollywood.
Microfonia Surda...como um sol arrancando a alma pra fora como se sua pele. como se sem nenhuma anestesia um dia vespertinando seu futuro. como se um medo e ao mesmo tempo um fetiche pela noite infinita q o terminaria. enfim. ñ mais a luz estridente q o consumia. como se uma saudade algo maresia. calculada. cíclica. das coisas q nunca fez. e q calcinasse seus desejos inconclusos. como se qto mais os gritando mais ainda inauditos. e um concerto de buzinas e freadas bruscas em seu peito. enfim. como se jamais se reconhecendo em meio aos batuques e ao desespero. como se apenas ele percebendo a miséria por traz de tanta correria pelo desperdício e pela construção das respectivas personagens no meio de um espetáculo dantesco. enfim. de repente um exército de casais plastificados. e cada um dos 2 em cada qual dos casais como naquele filme antigo em q o John Travolta faz o "menino da bolha". como se esses mesmos casais cada vez mais se desconhecendo. e se anestesiando. em meio ao sol desesperado do meio-dia e meio. enfim. vomitar? exorcismo. ato sagrado e construído sem pressa. copo a copo. ou com quaisquer outros tantos artifícios. em meio a triste psicotropia crepuscular e siderúrgica dos
churrasquinhos lancinantes. sempre enqto o último ônibus ñ vem. e os últimos sempre acabam mesmo sendo os primeiros. enfim. era quase como se todos os desajustados do planeta gritando. em silêncio. e as vidraças todas do mundo explodindo...
Terminal,
Lua,“Incrível”, pensei. Quando antigamente pensava nisso tudo, era muito diferente. A culpa talvez fosse do cinema, é quase certo que o cinema, mas também a conversa tola das tias, vozes baixas, olhos arregalados. Aquele temor implícito. Agora, tudo diferente de qualquer coisa que eu tenha imaginado. Nada de névoas vacilantes, de horizontes perdidos. Primeiro espanto: silêncio completo. Nada de suaves melodias. Pensei em Baudelaire, pensei nos pré-rafaelitas, nas igrejas barrocas, nas hagiografias, em Dante, em Karl Marx. Não pude deixar de sorrir. Ao meu redor, paredes negras, como um pesadelo de mármore brilhante. E frio, muito frio. Meus passos ecoam, estou em um salão completamente negro, do chão ao teto – porque há um teto, escuro, distante. Sigo sem saber muito bem para onde vou, ou para onde devo ir, porque não me parece certo caminhar sem rumo, esse velho hábito de ter sempre uma rota certa é persistente, e é natural que eu tenha ficado inquieto porque não me deram um mapa, nem orientações, parece-me que estou condenado a vagar para sempre pelo salão negro interminável, mas logo percebo que há nichos em algumas paredes e nesses nichos moram livros. Senti-me quase feliz. Apanhei um deles – um livro como qualquer outro, um livro de papel, com capa e páginas – e quando o abri aconteceu uma coisa que eu chamaria, na falta de palavra melhor, de Lembrança. Palavra pobre, diante do ocorrido; era muitas vezes mais do que lembrança, algo maior, mais alto, mais profundo, um objeto-pensamento feito de matéria e memória, sei que é inútil tentar descrever e pensei em Jorge Luís Borges e seu Aleph, e tudo desapareceu de repente. Acordei (não sei se este é o termo correto) e estava diante de um microfone. À minha frente, uma platéia. Atrás, a banda. Lílian na primeira fila. Eu cantava. Fechei o livro rapidamente, não sei como nem onde, mas eu-cantor estava no palco e eu-Eu estava fechando o livro em um salão escuro e gelado. Apanhei outro livro, tudo sumiu, acordei e era minha cama, um copo de vinho na cabeceira, o cheiro dos cobertores, e Lílian ressonando; na meia-luz pude divisar os móveis, a TV, a porta. Fechei aquilo. Começou a doer. Seria isso, então? Aterrorizei-me. Talvez fosse melhor escolher calmamente um livro e não fechá-lo nunca, deixar que aquilo continuasse. Não era um paraíso e sim uma espécie de inferno. Nada de caldeirões ferventes. Tive que rir; era muito pior do que isso, e eu não sabia se terminaria ou não. Onde eu estava não havia tempo – só espaço, ou um espaço-tempo extensível até além de qualquer limite, se houvessem limites. Fiquei tão pequeno e infeliz que desejei morrer mais uma vez. Como não existia tempo, não sei “quanto” fiquei prostrado naquele piso reluzente. O fato é que em certo instante olhei para cima e vi a lua. Senti uma pontada forte na nuca, pensei na doença, depois meus olhos arderam loucamente e senti o tiro, pensei na morte, mas a lua sobre mim, uma luz insuportavelmente azul, me fez pensar em redenção e em café com leite, essas idiotices que costumam vir com lágrimas, e, não sei como, mas tive a certeza de que não estava tudo perdido. Havia um fiapo de alguma coisa, algo em que se agarrar. E eu me agarrei. Em um fiapo.
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Estou voltando, sei que estou voltando. Mas as coisas nunca mais serão as mesmas. Uma pena.
Lílian dança loucamente. E seu vestido é branco, translúcido. Sensual e vestal ao mesmo tempo. Ela parece chorar. Suas lágrimas misturadas com a água da chuva. E ela dança loucamente. Tento oferecer-lhe um buquê de flores de plástico. “- Que sejam infinitas enquanto durem...”, brinquei. Mas ela não ria. Ela apenas dançava loucamente. A chuva não pára. A família dela aparece para o jantar. Enquanto comem e conversam, a chuva não cessa. E eu tentando falar com todos. Mas ninguém me ouve. E ela chora e levanta-se da mesa. Estou ao seu lado agora. Ou melhor, na verdade, ela se arrasta aos meus pés. Preciso terminar esta canção maldita. Óculos escuros não funcionam muito bem na chuva, descubro. E estou com medo de levar choque do microfone. Os outros caras da banda dormem com seus instrumentos. Tento brigar com eles. “... daí ele esqueceu de novo que tinha a paradinha no meio desse som, saca?”. O batera conversava com o baixista. Eles também não me escutam e não conversam comigo. De novo a mesa do jantar. De outro ângulo, vejo Lílian levantar-se e sair correndo. Ela apenas tenta ir até a porta e pára de costas. Está tudo escuro. Vejo apenas os móveis da sala de jantar, as pessoas e a chuva que não pára dentro de casa. Dentro de casa? A campainha toca. Willian, o batera. Ele entra tranqüilo. Acende um cigarro. Todos brigam com ele por fumar dentro de casa. Ele começa a rir apontando o dedo pra mim. Continuo não entendendo porra nenhuma. Ele aponta pra janela. Corro até ela e afasto a cortina. Lá fora está um puta sol. Encostados no carro, Willian, Lílian e os outros caras da banda. Eles me mostram o dedo médio, entram correndo no carro e partem cantando os pneus. O som da arrancada fica, à partir de então, atravessando a seqüência dos acontecimentos de maneira involuntária. Estou sozinho novamente. Só. Com o microfone. Saí em carreira solo. Mas ainda não consigo ouvir minha voz. As pessoas estão bem vestidas demais em meu primeiro show. E choram demais também e suas lágrimas também confundem-se com os pingos da chuva que não cessou um segundo sequer. Diversos cortes secos. Lílian atravessa finalmente a escuridão para sair da mesa do jantar e parece invadir uma espécie de jardim. Eu mesmo choro dentro de um carro em alta velocidade. A família de Lílian janta em meio aos instrumentos do show de minha ex-banda com Lílian assumindo os vocais e chorando muito com uma espécie estranha de jardim mal cuidado ao redor de tudo. Estou berrando em lágrimas ao microfone dentro do carro em chamas. Lílian está correndo de costas por estranhos corredores do imenso jardim mal cuidado e repleto de pedras demasiado simétricas em sua disposição. De volta ao meu primeiro show solo, percebo que o público (agora também todo ele com óculos escuros mas ainda bem vestido e chorando demais para o meu gosto) é composto pela família de Lílian, meus antigos camaradas da banda e a própria Lílian. Lílian outra vez. Lílian apenas. Lílian apenas dançando loucamente com seu vestido branco translúcido e vestal. E Lílian dança loucamente sobre a minha sepultura. Um buquê de flores de plástico queima em closes demoníacos...comparsas de estrada, ainda ñ sei se será desta vez q vcs conseguirão comentar algo. tentem. caso ñ consigam, mandem pro peterson.queiroz@gmail.com q eu mesmo publico. certo?

o calor. tempos dilatados. pupilas idem. reveillon. praia. sem número de turistas desesperadamente eufóricos enqto visualizo a enorme tsuname de automóveis a invadir as ruas algo senegalesas de ambulantes igualmente suplicantes diante de mais uma efeméride em seus parcos "fluxos de caixa". o crescimento econômico e o meu humor também continuaram flutuantes. eu e mais 2 companheiros de viagem. elocubrações etílicas ululavam a todo instante de nossas mentes para a caravana. como insultos. foi inevitável: as pessoas são tão apegadas ao seu modus operandi q carregam até os congestionamentos pra viajar junto com elas. assim como suas filas, seus "fluxos de caixa" particulares e o humor q sempre se alterava por causa, também, da mesma instabilidade destes mesmos tais "fluxos" todos e das mesmas elocubrações etílicas. impossível ñ pensar na piscina de Lucrécia Martel. ainda mais qdo percebo um argentino q me faz lembrar de Tomaso Buschetta (será q é assim q escreve? será q ele era argentino?) e de Carlitos Tevez. 2 faces de uma mesma moeda de prestidigitador latino americano... Ou (como diria o Marião ou o Kerouac): "algo assim". eis q a praia é invadida por um exército de Teletubbies (será q é assim q escreve? será q seriam eles argentinos? ou, hipótese mais provável, paraguayos?) e capitaneados por um pikachú amarelo desbotado, todos de pelúcia (ou algo parecido), sendo cozidos pelo sol escaldante enqto vendiam algodões doces lacônicos ao som do peso de "Fish, Ball, Cat" de Tati Quebra-Barraco (ou algo muito parecido). percebi q o capitalismo alternativo é pedófilo qdo vi as menininhas de 3 anos de idade "descendo até o chão". e q se o Jello Biafra tivesse projetado uma Disneylândia 3o Mundista a coisa talvez caminhasse um pouco por aí. ñ q eu esteja dizendo q ele seja papa-anjo (pq, se ele for, terei acertado, "na cagada", q, só de sacanagem, o cabeça dos Dead Kennedy's inventou de fazer um bico como cover do Michael Jackson). vai saber... ñ longe dali, outra caravana. transgressivos embalados em celofane furta-cor, caminhavam todos para mais uma daquelas TAZ do Hakim Bey (pra quem, ainda, ñ sabe: as tais das zonas autômatas temporárias). em tempo: samba e subversão ñ se aprendem no colégio... assim: ñ consigo deixar de pensar na "shopping-centerização" também das relações. um dos meus colegas de viagem, o mais entusiasta deste tipo de aglomeração humana q são as raves, tentava, quase em vão, defender os inúmeros benefícios de se mergulhar no oceano de pessoas cercadas de solidão e trance music no talo por todos os lados. catatonia. agonia. e glória. além de, claro, abismos. Mas, psicotropicanalhices e batidões eletrônicos à parte (sejam estes últimos quais forem), ñ adianta: "Free World" do Neil Young e uma outra aglomeração (esta, irônica e assumidamente shopping-centerizada, reunida pelos maravilhosos Stooges e Sonic Youth) ñ me saíam da cabeça. ondas. ondas sonoras. ondas de uma praia cansada das pancadas da água salgada. ondas de automóveis igualmente salgados e tristes. a eterna onda de violência sócio-cultural de cada verão. lá vinham elas de novo. as tais elocubrações a quebrar em meio à minha pré-ressaca de boca seca e pupilas dilatadas pelas malditas ondas de sal e calor: o verão, definitivamente, é a siderurgia 24hs do vil metal q também forja as eternas facas de 2 gumes da porra do materialismo histórico-dialético... Burp!!
